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domingo, novembro 06, 2016

Doutor Estranho


A Marvel continua expandindo seu universo nos cinemas de forma consistente, porém pouco ousada e isso ficou evidente em Doutor Estranho, que reuniu um dos melhores elencos desse tipo de filme, um visual impressionante, mas ficou, obviamente, voltado para agradar a família. Não que isso seja, necessariamente, um defeito, ainda que cause certa frustração no público mais adulto.

Dito isto, é um bom filme, mas aquém do que poderia ter sido e, em certa medida faz um paralelismo com Esquadrão Suicida. Enquanto a aventura da DC Comics não é tão ruim quanto muitos críticos insistiram em enfatizar, Doutor Estranho não é tão bom assim quanto uma boa parte das primeiras impressões de críticos querem fazer crer.

A aposta em fazer um filme que agrade toda família é uma receita certa de fortuna Marvel/Disney. Os nerds adultos podem levar seus filhos sem medo, as crianças vão querer os brinquedos e crescer assistindo as novas produções e continua agradando os jovens que eram crianças no início da empreitada de sucesso: Homem de Ferro.

Por falar em Homem de Ferro... Se o filme der certo, Doutor Estranho deve ser a aposta para ir substituindo, aos poucos, o Tony Stark de Robert Downey Jr, maior estrela da Marvel. Já que o ator está cada vez mais caro e a idade, 51 anos, trará limitações. Benedict Cumberbatch, o personagem título, é 10 anos mais novo, está em ascensão e é perfeito em interpretar personagens arrogantes e inteligentes (série Sherlock, Star Trek – Além da Escuridão e O Quinto Poder). E, epa, e esse não é exatamente como o criador do Iron Man?

Outros grandes nomes do filme: Chiwetel Ejiofor, de 12 anos de escravidão, mostrou bom desempenho. Já Rachel McAdams foi desperdiçada. Sempre a achei medíocre, mas ela me surpreendeu em True Detective e esperava mais da moça. Mads Mikkelsen (série Hannibal, A Caça, Cassino Royale) é um ótimo ator que interpretou um vilão genérico, como já virou padrão em filmes de heróis. Apostaria que o personagem pode voltar.

Já a camaleoa Tilda Swinton fez com perfeição o papel de Morpheus, ops, da Anciã, embora tenha tido um destino previsível. Para ver o quanto ela é talentosa veja seus personagens em filmes como Adaptação, Precisamos Falar sobre Kevin e Queime depois de ler.

Por fim, mas não menos importante, é o aspecto deslumbrante do filme que vai impressionar ainda mais quem (heresia) ainda não assistiu A Origem. Nenhum adjetivo menor que espetacular pode ser usado para os efeitos especiais de Doutor Estranho. Psicodélico é outro termo muito apropriado para este filme e fiquei até imaginando como deve ser ver o longa com algum tipo de estado mental alterado, como Aldous Huxley no livro As Portas da Percepção.

Mas poxa, não vai falar nada história? Ah, sim. Então lá vai: pessoa comum sofre acidente, descobre poderes, não quer usá-los, mas depois percebe ser necessário em nome de um bem maior. Mocinhos vencem, vilões perdem. Fim! Ah, como é Marvel tem cenas pós-créditos. Duas, na verdade.
 
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