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terça-feira, fevereiro 02, 2016

Documentário Puta porque sim!

Conhecida erroneamente como a profissão mais antiga do mundo e uma suposta atividade da Madalena bíblica, a prostituição e suas profissionais ainda são, vergonhosamente, um tabu. Citada muitas vezes no cinema e na literatura: Pantaleão e as visitadoras, de Mario Vargas Llosa; Memórias de minhas putas tristes, de Gabriel García Márquez, parte da obra de Jorge Amado e por aí vai, há pouquíssimo espaço para discussão séria como o projeto de lei do deputado federal Jean Wyllys, cujo tema havia sido proposto anteriormente por Fernando Gabeira.
Da vida real no Brasil temos a Hilda Furacão, a Bruna Surfistinha, a atual Lola Benvenutti e a mais icônica, Gabriela Leite, que, ativista, gerou mesmo depois de sua morte, muita discussão e conquistas às profissionais do sexo. Monique Prada e Indianara Siqueira são duas profissionais que também são ativistas. Mas é comum receberem ataques nas redes sociais e espaços de discussão por pessoas em favor de uma tradicional família brasileira, mas também por alas do feminismo e de pessoas de esquerda que não tem a mente muito aberta, conhecidas no meio como esquerdomachos.
São por estes motivos que vale a pena assistir o documentário produzido pela jornalista Isabela Mercuri, como trabalho de conclusão de curso de jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT): Puta porque sim - Quando a prostituição é feminismo. Com entrevistas de prostitutas, pesquisadores, gestores as vozes às vezes são complementares, outras vezes discordantes, mas revelam o protagonismo delas. Em um trecho uma trabalhadora diz que começou a trabalhar porque o pai não queria uma filha “rapariga”, por estar grávida e não querer casar. Outra relata a insegurança por não conhecer os clientes. Uma terceira revela ainda que as vezes em que sofreu repressão foi por policiais.
Particularmente sou favorável a regulamentação da prostituição, pois isso ajudaria a elas (e eles, claro) terem acesso a aposentadoria e outros benefícios como ter uma comprovação de renda para gerir contas bancárias, entre outros motivos. Um outro lado é que a regulamentação poderia ajudar a combater o tráfico de pessoas, prática que acontece mais do que a gente supõe além de ajudar a diminuir o preconceito machista contra mulheres que encontram essa atividade como única opção após serem expulsas de suas casas.
Ou seja, a prostituição deveria ser uma opção de trabalho legítima e a reivindicação dessa condição é, sem dúvida, um ato de feminismo, porque como deixou registrado no título de sua biografia, Gabriela Leite era filha, mãe, avó e puta. Ou seja, ela era, antes de mais nada e como todas as outras, uma mulher.




terça-feira, setembro 15, 2015

Vamos falar de amor?

Amor lindo é aquele dos contos de fadas em que um jovem e sarado príncipe salva uma bela donzela em perigo e vivem felizes para sempre, né?

Pois é, também acho que não! Muito machismo nessa forma de pensar…

Amor lindo é aquele em que as pessoas envolvidas ficam juntas durante o tempo que tiver que acontecer e da forma como tiver que ser.

É pensando dessa maneira que estou achando interessante a série Amores Livres, no GNT, dirigido por João Jardim. Não que a considere revolucionária em termos estéticos ou de direção, mas a grandeza está no tema, acho que um dos grandes tabus (idiotas) da humanidade e da forma de mostrar os “trisais”, casais de três pessoas, e outras personagens envolvidas na história.

Recalcados irão odiar, mas é interessante saber que existem pessoas que pensam diferente, que vivem diferente, mas amam e sofrem como todo mundo. O mundo não é feito só de corintiano e flamenguista.
Eu gostei das histórias que vi, muito humana, algumas um tanto loucas, confesso; outras tristes, que refletem que o diretor está conseguindo passar muito bem uma verdade em cada entrevistado.

Quem estiver a fim de uma boa e velha putaria também não vai gostar muito, até porque, no fundo, são, também, uns recalcados.

Mas aqueles dispostos e ver novos olhares, confrontar conhecimentos e, por que não, se reconhecer nas histórias contadas… esses, sim, irão gostar e perceber que existem muitas diferenças entre os adeptos do amor livre, do relacionamento aberto, do poliamor e outras formas não convencionais (mas, naturais) de se relacionar.

Mais informações sobre o programa aqui

segunda-feira, novembro 10, 2014

9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul

Em Cuiabá, as sessões acontecem gratuitamente dia 18 a 23 de novembro, no CineSesc Arsenal 

Assessoria - Inspirada nos 50 anos do golpe civil-militar, a 9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul será realizada de 3 de novembro a 20 de dezembro nas 26 capitais eno Distrito Federal, e em 1.000 pontos culturais fora das capitais urbanas entre janeiro e março de 2015. O evento traz também outros debates acerca dos direitos humanos, com filmes que abordam temas como população LGBT e enfrentamento da homofobia, questões culturais e territoriais da população indígena, direitos da pessoa com deficiência, entre outros. As sessões serão: “Mostra Competitiva”, “Mostra Memória e Verdade”, “Mostra Homenagem Lúcia Murat” e “Sessão Inventar com a Diferença”.

Veja a programação completa dos filmes aqui

Com entrada franca, a 9ª Mostra exibe ao todo 41 filmes, todos com sistema closedcaption e sessões que incluem audiodescrição, voltadas para pessoas com deficiência visual. A realização é da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), com o apoio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e Fundação Euclides da Cunha, alémdo patrocínio da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A “Mostra Memória e Verdade” é uma das exibições voltadas ao golpe de 1964, abordando questões sobre a ditadura e os contornos políticos do período. Os documentários “Setenta” (2013), de Emilia Silveira Brasil, e “Cabra Marcado para Morrer” (1984), de Eduardo Coutinho, estão entre as escolhas da curadoria. Clique aqui e veja a programação completa.

A homenageada da 9ª edição do evento, a cineasta carioca Lúcia Murat, também segue o debate em torno dos anos de chumbo com um pequeno panorama de sua produção cinematográfica incluída na “Homenagem Lúcia Murat”.A convidada esteve envolvida com os movimentos políticos de resistência ao golpe, foi presa em 1971, e levou suas experiências para as telas do cinema com o fim da ditadura, após 1985. “O Brasil é uma marca constante na carreira de Lúcia Murat. Visto pela ótica estrangeira, dissecado em sua História remota ou contemporânea, nosso país vem ganhando um retrato complexo, amoroso e doloroso nos filmes de uma cineasta que é mais do que merecedora desta homenagem”, opina Rafael de Luna Freire, coordenador da mostra.

A novidade que o evento traz em 2014 são filmes produzidos não só na América do Sul, como nos outros anos, mas também em países do Hemisfério Sul, como Egito e Jordânia. A “Mostra Competitiva”com 24 longas, médias e curtas-metragens, em que as plateias elegem os melhores filmes através de votação popular, é destaque na programação, assim como a “Sessão Inventar com a Diferença”.Esta sessão exibe filmes-carta produzidos por alunos de escolas públicas do país que participaram do projeto “Inventar com a Diferença”, que levou cinema e direitos humanos para cerca de 300 escolas no primeiro semestre de 2014. O documentário “Pelas Janelas”, produzido por alunos da UFF a respeito do Inventar, também ganhará primeira projeção pública na sessão.

 “Compreendendo que, para avançar na realização progressiva dos Direitos Humanos, é necessário aprofundar o debate.Esperamos que esta mostra contribua para a construção de uma cultura de respeito e valorização das diferenças”, aposta Ideli Salvatti, ministra da SDH/PR.

Serviço:
Cuiabá – MT - 18 a 23 de novembro
Local:CineSesc Arsenal - R. 13 de Junho, s/no - Porto- (65) 3616.6901
Facebook Cuiabá: www.facebook.com/pages/Mostra-Cinema-e-Direitos-Humanos-na-América-do-Sul-Cuiabá-Mato-Grosso/1437899749765170
Site: www.mostracinemaedireitoshumanos.sdh.gov.br/
Facebook Nacional: www.facebook.com/mostracinemaedireitoshumanos?fref=ts
Entrada Franca

domingo, janeiro 05, 2014

Melhores e Piores de 2013

Como em anos anteriores, ainda que um pouco atrasado, listo minha seleção de melhores e piores filmes que assisti pela primeira vez em 2013, independente do ano de lançamento. Entre os melhores, além dos óbvios Django Livre e Argo, incluo o sensível Indomável Sonhadora e o contundente Amor.

Entre os piores, impossível não listar as malfadadas continuações Duro de Matar 5, Atividade Paranormal 4, GI Joe – Retaliação e O Último Exorcismo – parte 2.

Também listo aqui os dez filmes que mais me decepcionaram, não necessariamente por serem ruins, mas por serem aquém do que esperava, considerando o tema, elenco etc. Aqui entraram principalmente temporadas de séries que gosto (ou gostava) como a terceira e preguiçosa temporada de Homeland e a esticada temporada de The Walking Dead.

E também trago dez destaques, que é sempre a minha seleção mais difícil. Também não são necessariamente filmes excepcionais, mas que valem a pena conferir. O brasileiro Faroeste Caboclo está nesta lista, assim como O Voo, com uma espetacular atuação de Denzel Washington. A crueza de Os Amores da Casa de Tolerância ganhou minha simpatia pela forma que a história foi abordada.

O último filme a entrar nesta lista foi o remake Sob o Domínio do Medo. Sim, eu sei, muita gente não gostou. Talvez até por isso, esperava que fosse odiosamente ruim, mas até achei interessante. Não para o cinema, mas para a TV e guardando as devidas proporções entre o diretor deste e do original. E claro que não dá pra comparar a atuação canastrona de James Marsden com a de Dustin Hoffman em 1971.

terça-feira, junho 04, 2013

Tabus sexuais no cinema

Filmes que abordam tabus sexuais normalmente geram polêmica, dividindo os espectadores entre aqueles que adoraram, odiaram e aqueles que preferem nem ver, sobretudo nos últimos anos, que estas produções começam a aparecer com mais frequencia. Kinsey - Vamos Falar de Sexo, de 2004, com Liam Neeson (num dos seus últimos papéis decentes) é um destes que vale a pena ser visto, abordando várias formas de sexualidade. O controvertido e pouco conhecido Shortbus (2008) explora a temática LGBT de uma forma interessante.
 
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