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quarta-feira, agosto 24, 2016

Os 100 melhores

Estamos bem no início do século, mas a BBC já fez uma daquelas listas dos 100 melhores dos séculos. Boas surpresas com três longas de Michael Haneke, o brasileiro Cidade de Deus e o argentino O Segredo dos seus Olhos, embora ache O Filho da Noiva bem melhor.

Em negrito os filmes que eu já vi, em azul aqueles filmes que ainda não vi, mas tá lista e em vermelho aqueles que realmente acho superestimados.

É certo que Cidade dos Sonhos está entre os melhores para mim, mas não estaria lá no topo da lista. Senti falta de Incêndios, de Denis Villeneuve e Toy Story 3.

100. Toni Erdmann (Maren Ade, 2016)

100. Réquiem Para um Sonho (Darren Aronofsky, 2000)

100. Carlos, o Chacal (Olivier Assayas, 2010)

99. Os Catadores e Eu (Agnès Varda, 2000)

98. Dez (Abbas Kiarostami, 2002)

97. Minha Terra África (Claire Denis, 2009)

96. Procurando Nemo (Andrew Stanton, 2003)

95. Moonrise Kingdom (Wes Anderson, 2012)

94. Deixa Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008)

93. Ratatouille (Brad Bird, 2007)

92. O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (Andrew Dominik, 2007)

91. O Segredo dos Seus Olhos (Juan José Campanella, 2009)

90. O Pianista (Roman Polanski, 2002)

89. A Mulher Sem Cabeça (Lucrecia Martel, 2008)

88. Spotlight: Segredos Revelados (Tom McCarthy, 2015)

87. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Jean-Pierre Jeunet, 2001)

86. Longe do Paraíso (Todd Haynes, 2002)

85. O Profeta (Jacques Audiard, 2009)

84. Ela (Spike Jonze, 2013)

83. A.I.: Inteligência Artificial (Steven Spielberg, 2001)

82. Um Homem Sério (Joel and Ethan Coen, 2009)

81. Shame (Steve McQueen, 2011)

80. O Retorno (Andrey Zvyagintsev, 2003)

79. Quase Famosos (Cameron Crowe, 2000)

78. O Lobo de Wall Street (Martin Scorsese, 2013)

77. O Escafandro e a Borboleta (Julian Schnabel, 2007)

76. Dogville (Lars von Trier, 2003)

75. Vício Inerente (Paul Thomas Anderson, 2014)

74. Spring Breakers: Garotas Perigosas (Harmony Korine, 2012)

73. Antes do Pôr-do-Sol (Richard Linklater, 2004)

72. Amantes Eternos (Jim Jarmusch, 2013)

71. Tabu (Miguel Gomes, 2012)

70. Histórias que Contamos (Sarah Polley, 2012)

69. Carol (Todd Haynes, 2015)

68. Os Excêntricos Tenenbaums (Wes Anderson, 2001)

67. Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow, 2008)

66. Primavera, Verão, Outono, Inverno... E Primavera (Kim Ki-duk, 2003)

65. Aquário (Andrea Arnold, 2009)

64. A Grande Beleza (Paolo Sorrentino, 2013)

63. O Cavalo de Turin (Béla Tarr e Ágnes Hranitzky, 2011)

62. Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009)

61. Sob a Pele (Jonathan Glazer, 2013)

60. Síndromes e um Século (Apichatpong Weerasethakul, 2006)

59. Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)

58. Moolaadé (Ousmane Sembène, 2004)

57. A Hora Mais Escura (Kathryn Bigelow, 2012)

56. A Harmonia Werckmeister (Béla Tarr e Ágnes Hranitzky, 2000)

55. Ida (Paweł Pawlikowski, 2013)

54. Era uma Vez na Anatolia (Nuri Bilge Ceylan, 2011)

53. Moulin Rouge: Amor em Vermelho (Baz Luhrmann, 2001)

52. Mal dos Trópicos (Apichatpong Weerasethakul, 2004)

51. A Origem (Christopher Nolan, 2010)

50. A Assassina (Hou Hsiao-hsien, 2015)

49. Adeus à Linguagem (Jean-Luc Godard, 2014)

48. Brooklyn (John Crowley, 2015)

47. Leviatã (Andrey Zvyagintsev, 2014)

46. Cópia Fiel (Abbas Kiarostami, 2010)

45. Azul é a Cor Mais Quente (Abdellatif Kechiche, 2013)

44. 12 Anos de Escravidão (Steve McQueen, 2013)

43. Melancolia (Lars von Trier, 2011)

42. Amor (Michael Haneke, 2012)

41. Divertida Mente (Pete Docter, 2015)

40. O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005)

39. O Novo Mundo (Terrence Malick, 2005)

38. Cidade de Deus (Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2002)

37. Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Apichatpong Weerasethakul, 2010)

36. Timbuktu (Abderrahmane Sissako, 2014)

35. O Tigre e o Dragão (Ang Lee, 2000)

34. O Filho de Saul (László Nemes, 2015)

33. Batman: O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008)

32. A Vida dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck, 2006)

31. Margaret (Kenneth Lonergan, 2011)

30. Oldboy (Park Chan-wook, 2003)

29. WALL-E (Andrew Stanton, 2008)

28. Fale com Ela (Pedro Almodóvar, 2002)

27. A Rede Social (David Fincher, 2010)

26. A Última Noite (Spike Lee, 2002)

25. ​Amnésia (Christopher Nolan, 2000)

24. O Mestre (Paul Thomas Anderson, 2012)

23. Caché (Michael Haneke, 2005)

22. Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003)

21. O Grande Hotel Budapeste (Wes Anderson, 2014)

20. Sinédoque, Nova York (Charlie Kaufman, 2008)

19. Mad Max: Estrada da Fúria (George Miller, 2015)

18. A Fita Branca (Michael Haneke, 2009)

17. O Labirinto do Fauno (Guillermo Del Toro, 2006)

16. Holy Motors (Leos Carax, 2012)

15. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu, 2007)

14. O Ato de Matar (Joshua Oppenheimer, 2012)

13. Filhos da Esperança (Alfonso Cuarón, 2006)

12. Zodíaco (David Fincher, 2007)

11. Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum (Joel e Ethan Coen, 2013)

10. Onde os Fracos não Têm Vez (Joel e Ethan Coen, 2007)

9. A Separação (Asghar Farhadi, 2011)

8. As Coisas Simples da Vida (Edward Yang, 2000)

7. A Árvore da Vida (Terrence Malick, 2011)

6. Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Michel Gondry, 2004)

5. Boyhood: Da Infância à Juventude (Richard Linklater, 2014)

4. A Viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2001)

3. Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, 2007)

2. Amor à Flor da Pele (Wong Kar-wai, 2000)

1. Cidade dos Sonhos (David Lynch, 2001)

segunda-feira, agosto 22, 2016

A Incrível História de Adaline

Com toques de realismo fantástico e com um ótimo elenco, desde a estrela em ascensão Blake Lively e nomes consagrados do cinema como Harrison Ford, Ellen Burstyn (O exorcista; Réquiem para um sonho) e Kathy Baker (O abrigo; Redenção) o longa foi bastante aplaudido por público e crítica. A história da mulher que parou de envelhecer prometia ser um romance diferenciado, bem diferente da discussão gótica de O retrato de Dorian Gray ou o drama inventivo de O curioso caso de Benjamim Button.

Como história de amor o filme funciona bem, mas tirada o aspecto fantástico, é apenas mais um romance água-com-açúcar que saem aos montes no cinema, nas livrarias e bancas de jornais. A mulher que encontra um cara rico e bom moço que se apaixona pela moça que evita se entregar ao amor para que ambos não sofram. Sim, você já viu essa história em todos os lugares, incluindo quase todas comédias românticas. De Uma linda mulher até a que estiver passando no cinema neste momento.

Apesar dos lugares-comuns a história poderia ter sido melhor recheada com alguma profundidade na trama. Ao invés disso tudo gira em torno de Adaline que precisa viver discretamente devido a sua condição. Desde sua filha, o galã apaixonado e amor de décadas atrás, todos estão focados em dizer para ela: deixar tudo acontecer e seja feliz. Essa é a única preocupação da moça que, apesar de aparentar ser muito culta e inteligente só usa esses atributos para criar novas identidades a cada 10 anos, ajudar o príncipe encantado a fechar um negócio e a vencer um jogo de perguntas e respostas. Triste personagem em tempos de fortes papéis femininos.

E no único momento em que a trama parecia ter algum grau de complexidade, a relação quase incestuosa de Adaline é um mero sinal do destino e não tem problemas morais, se entregando aos óbvios acontecimentos para o final feliz.

Mogli - O Menino Lobo (2016)

Jon Favreau é o cara que achou o tom certo para a Marvel em Homem de Ferro e usou todo seu talento para filmes de ação para atualizar e melhorar (desculpem-me saudosistas) a história do menino criado por lobos e outros animais nas florestas asiáticas. Baseado em O livro da selva, do escritor britânico nascido na Índia Rudyard Kipling (esse mesmo do famoso poema If) e na versão da própria Disney de 1967, com direito a duas canções do original, a chiclete Somente o necessário e outra, num momento completamente descartável.

Ainda que a história soe mais infantil que a média das últimas produções da Disney e Pixar, com personagens sem profundidade, que destoa da paleta de cores (mais sombrio do que se espera em produções do gênero) e com mais violência do que seria o normal, a produção é muito bem realizada.
A qualidade do CGI faz termos vergonha de um dia termos assistido a Jumanji, por exemplo. Todos os animais, dos lobos, a pantera, a serpente, o urso e orangotango são bem realistas, ainda que a qualidade caia um pouco nas cenas de ação. A Disney teve também um ótimo trabalho na escalação do elenco: Bill Murray (Baloo), Idris Elba (Shere Khan), Christopher Walken (Rei Louie), Giancarlo Esposito (Akela), Lupita Nyong'o (Rakcha) e Scarlett Johansson (Kaa). Na versão dublada bons atores também: Dan Stulbach, Marcos Palmeira, Thiago Lacerda, Tiago Abravanel, Júlia Lemmertz e Alinne Moraes. Não me entendam mal, mas achei a voz da serpente Kaa dublada por Scarlett Johansson e Alinne Moraes sensual demais para um filme infantil, mas talvez só os marmanjos tenham percebido isso.

A parte fraca do filme é o próprio protagonista Mogli (Neel Sethi), que a gente pode dar um desconto para um papel que exige pouco talento artístico, mas ele manda bem nas cenas de ação. E no fim, Mogli, história que gostava muito quando era bem pequeno, ganhou uma ótima versão, talvez não tão alinhada à geração atual, mas um pouco mais de inocência às crianças não faz mal.

PS. Os vilões do filme: flor vermelha (fogo); Kaa, a serpente amarela e preta; Shere Khan, o tigre amarelo e preto e Rei Louie, o orangotango laranja. Acho que alguém  não gosta de loiros e ruivos.

domingo, agosto 21, 2016

Ben-Hur (2016)


Timur Bekmambetov é um interessante diretor de filmes de ação, mas foi um tropeço essa releitura de um dos mais icônicos filmes de todos os tempos (o homônimo de 1959, com Charlton Heston e dirigido por William Wyler). Fosse apenas mais um filme genérico, passaria batido, mas fazer isso com um ícone do cinema é preciso estar à altura.

Não sou contra refilmagens e releituras, embora a maioria seja aquém ao material original e mera fórmula de fazer dinheiro com a inocência do espectador. Há casos que funciona, como em Mogli – O menino lobo, Caça-Fantasmas e Robocop, ainda que a bilheteria não concorde comigo.

Refilmar Bem-Hur é outra coisa, assim como seria complicado refilmar E o vento levou.... (que eu não gosto) ou Titanic. Aliás, em 1997 já haviam feito uma refilmagem medíocre de O Iluminado. Deveriam saber que não compensa.

Dito isto, o longa com os inexpressivos Jack Huston (Ben-Hur) e Toby Kebbell (Messala) não é um desastre total. Sejamos sinceros Charlton Heston sempre foi um canastrão, mesmo tenho ganho Oscar, então tudo bem. A história tem ritmo, você se empolga com a história e as cenas de ação são bem-feitas, principalmente a do navio e sem dúvida a corrida de bigas. Pena que pare por aí.

Transformar Messala em irmão de Ben-Hur foi uma tentativa desnecessária de afirmar a masculinidade dos protagonistas, mas o resultado foi por água abaixo. O personagem de Morgan Freeman, em uma interpretação sem vida chega a ser patética, inclusive na cena da corrida de bigas, onde ele, enquanto treinador fica gritando para Ben-Hur o que ele tem que fazer para vencer. Pode até ser que alguém ache que era apenas uma torcida e que o herói não ouvia, porque seria impossível pelo barulho dos cavalos, da multidão no circo e na atenção às rédeas, mas a gente vê em mais de um momento o rei traído olhando para seu instrutor, que havia mencionado antes da corrida onde estaria para passar instruções. Lamentável.

Triste também que Idarin tenha sido chamado de africano, algo que seria impensável para quem conhece, minimamente, um pouco de história.

Por fim, Rodrigo Santoro como Jesus não me surpreendeu, mas também não deixou a desejar, assim como a redenção de Esther (Nazanin Boniadi), pareceu-me justa. O tom, mais religioso que o original, não seria problema se fosse bem feito, mas o final piegas de redenção é uma afronta ao bom senso. Faz parecer o final do pistoleiro em Esquadrão Suicida perfeitamente crível frente ao que acontece aqui.

Como filme de ação, este Ben-Hur fracassa por ser irregular e sem expressão. Mas como filme religioso é um pecado.




segunda-feira, agosto 08, 2016

Esquadrão Suicida

Nem de longe é o que os trailers prometiam, mas também não é o lixo que a maioria das críticas tem afirmado. A minha definição é que o Esquadrão Suicida é uma grande bobagem, mas uma bobagem divertida e valeu o  ingresso.
O principal problema do Esquadrão parece ser mesmo a Warner, que quis remendar uma obra quase finalizada devido aos resultados aquém do esperado de Batman Vs Superman. Isso transpareceu em muitas cenas, principalmente em relação ao Coringa e a metade dos “heróis”: Amarra, Capitão Bumerangue, Katana e Crocodilo. Da forma como foi finalizado, sem esses personagens o filme seria mais fluido e ninguém sentiria falta.
Mas esse longa de personagens que pouco ou nada conhecia (não sou, não fui e nunca serei leitor de HQs) tem várias qualidades. A mais óbvia é o elenco de bons atores com Ben Affleck e Jared Leto; Joel Kinnaman que só interpreta policial, Margot Robbie, Viola Davis e Will Smith, o trio que, com “El Diablo “ Jay Hernandez, é o coração do longa. Aliás, esses quatro personagens são bem desenvolvidos e mostram o potencial que tinha, ainda que ache El Diablo e Arlequina as grandes surpresas dentro da proposta apresentada. Will Smith, apesar de bem no filme, me lembrou um envelhecido Agente J (Homens de Preto) e Viola Davis parecia a mesma Annalise Keating da série How to Get Away with Murder.
Há que se destacar também que a trilha sonora funciona e soa muitas vezes anárquica, como deveriam ser os personagens. A maquiagem, os efeitos visuais e o design de produção como um todo são irretocáveis, o que mais uma vez sugere que se a produção finalizada fosse a versão do diretor o filme ficasse mais coeso embora talvez um pouco mais sombrio e com classificação indicativa mais elevada.
Dito isso, é importante voltar aos problemas e alguns filmes são de inevitáveis comparações, independentes de serem da Marvel ou da DC (não sou fã de carteirinha de nenhum dos dois).
O primeiro e talvez principal problema é que filmes de super-heróis já cansaram. Não há novidade. Citando só alguns, a trilogia Batman do Cristopher Nolan e Homem-Aranha, do Sam Raimi, mais dois cabeças de teia sob a direção de Marc Webb, Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Homem Formiga, Superman, Besouro Verde, Blade, Deadpool, Demolidor, Dredd, Elektra, Guardiões da Galáxia, Hellboy, Lanterna Verde, Mulher Gato, Kick-Ass, Quarteto Fantástico, Tartarugas Nina, Os Vingadores, X-Men e Wolverine, Wathcmen e muitos outros.
Alguns personagens são até interessantes, mas a maioria dos filmes tem a mesma estrutura e quase sempre um final que quer ser grandioso e termina sendo genérico: a) trabalho em equipe que no último segundo acaba com todos os problemas de uma só vez; b) contagem regressiva que no último segundo o herói, num ato suicida, salva o dia, o mundo, a galáxia; ou sua variante c) o vilão que, em busca de redenção, faz um ato suicida para salvar o mundo, mas neste caso, geralmente o personagem morre e d) quase sempre o plano bem elaborado não funciona e um absurdo, bolado na hora, é internalizado por vários personagens de maneira instantânea e funciona.
Essa moda, iniciada pela Marvel e que a DC corre atrás, de criar universos expandidos faz com que muito tempo da narrativa fique centrada em agradar aos fãs, em dar pistas para os próximos filmes do estúdio e colocar os easter eggs, que antes era feito de forma lúdica ou simbólica, agora tornada obrigatória. Isso remete a problemas que, tanto em Esquadrão, como em Capitão América: Guerra Civil, o excesso de personagens atrapalha a narrativa.
Por fim, mas não menos importante, há um grande problema em Esquadrão, que é recorrente em alguns filmes de heróis. Citemos Quarteto Fantástico (o primeiro com Jéssica Alba ou o reboot, com Kate Mara) mais Thor e Hulk para parear os dois estúdios. Praticamente tudo que acontece na história é por conta da existência dos personagens. Se Thor não tivesse dado piti, se Banner não se acidentasse, se o quarteto não se acidentasse ou se Amanda Walter não tivesse criado o esquadrão, não haveria o que contar. E tudo que se segue é por conta disso.
Mas, os longas de heróis, junto com os reboots (Star Wars e Star Trek, por exemplo) e franquias intermináveis atraem gente para o cinema e movem as bilionárias indústrias, recorrendo a mesmice porque quase sempre funciona, igual as novelas da Globo. Ainda que de vez em quando um ou outro se sobressaia e crítica e público concordem com o produto apresentado.
Mas, às vezes, um filme é diferente e parece ser melhor do que realmente é: Deadpool. Ou pode parecer pior, caso do Esquadrão Suicida.
Quando tudo vai bem, somos presenteados com um O Cavaleiro das Trevas ou Homem-Aranha 2. No caso de heróis coletivos, nem X-Men, nem os Vingadores. O único que eu acho irretocável são Os Incríveis. Isso mesmo, aquele da Pixar, com personagens bem definidos e roteiro inteligente, ainda que tenha o mesmo final genérico da maioria.

sexta-feira, julho 29, 2016

A Máscara em que Você Vive

The Mask You Live In (A Máscara em que Você Vive) é um dos melhores documentários disponíveis no Netflix atualmente. Trata de um dos temas mais tabus que existe na sociedade, que é a construção cultural sobre o que é ser homem.

O título do documentário é um trocadilho para masculino em inglês (masculine) e se não é uma abordagem mais ampla (existem diferenças entre homens e mulheres que vão além da construção cultural e social, mas também hormonais, por exemplo) serve para ser pensada e que deveria ser mais discutida.

A máscara que se refere o documentário é sobre o estereótipo de ser homem: não deve chorar, não deve ter dúvidas; tem que ser hétero e precisa reforçar isso a todo instante, tem que ser pegador, estar pronto pra brigas etc. Homens ou mulheres, sabemos todos como são os rótulos da masculinidade. A produção questiona os efeitos nocivos que isso pode acarretar nas crianças e adolescentes que aprendem ou fingem reprimir seus verdadeiros sentimentos em nome do que é socialmente aceito.

Alguns dados sobre os Estados Unidos e que, imagino, tenha uma correlação com outros países como o Brasil: em comparação com as meninas, os meninos têm muito mais chances de serem reprovados, abandonar ou serem expulsos da escola. O suicídio é a terceira causa de morte dos garotos (são pelo menos três por dia). Noventa e três por cento dos menores de 18 anos estão expostos a pornografia na internet e 21% usam pornografia todos os dias. Junte esses dados com a cultura do estupro (de acordo com o documentário 1/3 desses jovens pensariam em cometer estupros se não houvessem chances de serem pegos) a outros fatores que também são reflexos de uma construção “cultural” masculina. Noventa por cento dos assassinatos são cometidos por homem, que também são os que mais morrem, bem como o alcoolismo e a dependência por outras drogas.

Enfim, este documentário é um bom ponto de partida para se refletir os efeitos de uma construção estereotipada sobre ser homem podem causar em milhões de crianças (sejam meninos ou meninas). E se o feminismo tem sido de suma importância (eu simpatizo com algumas correntes, com outras, não) na reconstrução do que é ser mulher, é preciso também se rediscutir o que é ser homem.

PS. Mansome é outro documentário, bem mais leve e não tão bom, que discute o que ser um adulto macho nos dias de hoje na cultura americana, desde o uso da barba aos cuidados cosméticos com a aparência.


domingo, junho 19, 2016

Documentários

Uma seleção de bons documentários com temas diversos que vi nos últimos tempos. A maioria deles está disponível ou no Netflix ou no youtube.

(Dis)Honesty – The Truth About Lies (ou (Des)honestidade – A verdade sobre mentiras)
O impacto das mentiras em nossas vidas e na sociedade.

A Corporação
O documentário é um curso sobre como as grandes corporações (IBM, Dysney, McDonalds, Monsanto, Pfizer, Pirelli e outras tantas) surgiram e cresceram no mundo.

As hiper mulheres
Os preparativos para a realização do Jamurikumalu, o maior ritual feminino do Alto Xingu (MT).

A vida depois do Pornô
Como é a vida das celebridades do entretenimento adulto depois que se afastam das atividades pornôs.

Cinderelas, Lobos & Um Príncipe Encantado
A ilusão de meninas que sonham em encontrar seu príncipe encantado mas que, em sua grande maioria, encontram o descaso, o preconceito, a inexistência do Estado e a violência.

Darwin matou Deus?
É possível conciliar a teoria de Darwin com religião?

Dia de Festa
Um olhar sobre a ocupação de sete imóveis abandonados por seus proprietários em São Paulo pelo Movimento dos Sem Teto do Centro – MSTC.

Doméstica
Os olhares de jovens patrões em relação às suas empregadas domésticas.

God loves Uganda (Deus ama Uganda)
A expansão das igrejas evangélicas em Uganda.

Going Clear: Scientology and the Prison of Belief (Esclarecendo: Cientologia e a Prisão de Crença)
Um mergulho numa “religião” que atrai celebridades como Tom Cruise, John Travolta e Will Smith.

Hot Girls Wanted
Jovens em busca da fama na indústria pornográfica.

Jesus Camp
O recrutamento de crianças para às igrejas evangélicas.

Puta porque sim! – quando a prostituição é feminismo
Prostitutas, pesquisadores e gestores públicos falam sobre a profissão.

O Riso dos Outros - O humor tem limites?
Independente da sua resposta a essa pergunta, vale a pena refletir sobre o tema.

O vírus da fé (A raiz de todo mal)
Para o biólogo Richard Dawkings a religião é uma doença que se espalha como um vírus.

Orgasm.inc
Sobre os mitos do prazer e as indústrias farmacêuticas que os alimentam.

The Propaganda Game
O que você realmente acha sobre a Coréia do Norte e o quanto os Estados Unidos podem estar manipulando sua opinião.

The True Cost
As empresas de moda de “consumo rápido” e suas consequências socioambientais.

The Unbelievers (ou Incrédulos)
Richard Dawkins e Lawrence Krauss entrevistam “celebridades” e pesquisadores sobre a importância da ciência e da razão no mundo contemporâneo.

Unhung Hero (Herói Mal-Dotado)
Documentário fala sobre... pênis. Principalmente sobre aqueles abaixo da média, sobre os problemas culturais e emocionais e como existe uma indústria que promete aumento peniano cujos resultados estão longe de serem satisfatórios.

Zeitgeist
Apesar da terceira parte ser muito “teoria da conspiração”, principalmente quando fala-se do 11 de setembro, mas não deixa de ser importante para uma discussão sobre estamos ou não em uma verdadeira Matrix.

terça-feira, fevereiro 02, 2016

A visita

M. Night Shyamalan tenta sair do limbo com este misto de comédia e suspense, depois de ir caindo de qualidade filme após filme. O resultado não é uma obra-prima, mas uma produção simpática que ironiza muito dos clichês dos filmes de terror.
A história é simples: adolescentes vão passar uma semana no sítio dos avós, que eles não conhecem, para que a mãe possa viajar com o namorado, tentando se recuperar de uma separação traumática. Os comportamentos do casal idoso causam estranhamento às crianças, mas são facilmente explicados, na tentativa de afastar possíveis fenômenos sobrenaturais. Ironizando, portanto, muitos dos filmes de terror e suspense, inclusive o melhor trabalho do diretor indiano, O Sexto Sentido.
O estilo já surrado de Found Footage é mostrado de forma um pouco diferente, posto que a ideia é que a irmã mais velha está fazendo um documentário na tentativa de reaproximar os avós da mãe. Então os enquadramentos são melhores, não há muita tremedeira e tem, sim, muitas cenas hilárias do adolescente rapper fazendo graça e que se torna o grande destaque do filme.
Aos poucos a graça vai se mostrando um suspense com poucos sustos, mas de certa forma orgânica que vale a pena assistir.
Apesar disso, o filme tem lá seus tropeços. O primeiro são as fobias dos adolescentes. A garota não se olha no espelho e o menino tem pavor de germes. No entanto, essas manias não são bem exploradas e se esse truque do diretor já havia se mostrado forçado em Sinais, aqui então só serviria se fosse para ridicularizar o próprio filme do diretor. Os outros eu não entregar pois senão mata a reviravolta do filme.

Documentário Puta porque sim!

Conhecida erroneamente como a profissão mais antiga do mundo e uma suposta atividade da Madalena bíblica, a prostituição e suas profissionais ainda são, vergonhosamente, um tabu. Citada muitas vezes no cinema e na literatura: Pantaleão e as visitadoras, de Mario Vargas Llosa; Memórias de minhas putas tristes, de Gabriel García Márquez, parte da obra de Jorge Amado e por aí vai, há pouquíssimo espaço para discussão séria como o projeto de lei do deputado federal Jean Wyllys, cujo tema havia sido proposto anteriormente por Fernando Gabeira.
Da vida real no Brasil temos a Hilda Furacão, a Bruna Surfistinha, a atual Lola Benvenutti e a mais icônica, Gabriela Leite, que, ativista, gerou mesmo depois de sua morte, muita discussão e conquistas às profissionais do sexo. Monique Prada e Indianara Siqueira são duas profissionais que também são ativistas. Mas é comum receberem ataques nas redes sociais e espaços de discussão por pessoas em favor de uma tradicional família brasileira, mas também por alas do feminismo e de pessoas de esquerda que não tem a mente muito aberta, conhecidas no meio como esquerdomachos.
São por estes motivos que vale a pena assistir o documentário produzido pela jornalista Isabela Mercuri, como trabalho de conclusão de curso de jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT): Puta porque sim - Quando a prostituição é feminismo. Com entrevistas de prostitutas, pesquisadores, gestores as vozes às vezes são complementares, outras vezes discordantes, mas revelam o protagonismo delas. Em um trecho uma trabalhadora diz que começou a trabalhar porque o pai não queria uma filha “rapariga”, por estar grávida e não querer casar. Outra relata a insegurança por não conhecer os clientes. Uma terceira revela ainda que as vezes em que sofreu repressão foi por policiais.
Particularmente sou favorável a regulamentação da prostituição, pois isso ajudaria a elas (e eles, claro) terem acesso a aposentadoria e outros benefícios como ter uma comprovação de renda para gerir contas bancárias, entre outros motivos. Um outro lado é que a regulamentação poderia ajudar a combater o tráfico de pessoas, prática que acontece mais do que a gente supõe além de ajudar a diminuir o preconceito machista contra mulheres que encontram essa atividade como única opção após serem expulsas de suas casas.
Ou seja, a prostituição deveria ser uma opção de trabalho legítima e a reivindicação dessa condição é, sem dúvida, um ato de feminismo, porque como deixou registrado no título de sua biografia, Gabriela Leite era filha, mãe, avó e puta. Ou seja, ela era, antes de mais nada e como todas as outras, uma mulher.




 
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