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sexta-feira, dezembro 04, 2009

2012

2012  Em 2012, Roland Emmerich provou que queria fazer o filme-catástrofe definitivo. Não só dele (que realizou Indpendence Day, Godzilla e O dia Depois de Amanhã), mas o de Hollywood. Não parece ser à toa as execessivas referencias a outros filmes do gênero (Impacto profundo, Armagedon), mas também de grandes diretores de ação como Richard Donner (o carro atravessando um prédio como em Máquina Mortífera 4), Michael Bay, com a destruição de vários automóveis, James Cameron (com o navio tombando), Spielberg (o pai ausente como em Guerra dos Mundos) e a franquia 007 (como o avião arremetendo em plena queda livre). Nem Ron Howard foi poupado com a morte do diretor do museu do Louvre, tal qual em O Código da Vinci.

E se não supera seus concorrentes em tudo, faz o filme-fim-do-mundo mais espetacular de sua carreira. Ainda que o adjetivo fique restrito a sua parte técnica. Incrível a escolha dos carros e dos aviões para mostrar de uma forma um pouco mais lenta do que seria de se esperar o adeus a Terra.

No entanto, são nas outras camadas que o filme se mostra frágil em certos momentos. O alemão Emmerich cutuca as religiões, principalmente a católica ao destruir o Vaticano (começando por uma rachadura na Capela Sistina separando o homem de Deus), passando pelo desabamento do Cristo Redentor, e culmina afogando um monge budista. Mas é essa mesma religiosidade que ele ataca que parece ser sua centralidade… Afinal, o presidente se resigna por seus fracassos citando o já batido “O senhor é meu pastor e nada me faltará”. (Notem que dessa vez o presidente é negro mas não é o herói, como em outros filmes antes de Obama)

O diretor ataca mesmo é a política desastrada dos 46 países mais ricos do mundo (onde a América Latina e toda a África são descartadas) para salvar o que consideram o necessário para continuar a vida na Terra após o juízo-final. No entanto, é de se estranhar que os bonzinhos do filme que sabiam que o fim estava chegando só se dessem conta de que os privilegiados a não morrerem eram ricaços, políticos e cientistas escolhidos a dedo. Por falar nisso é de se estranhar que o cientista Chiwetel Ejiofor (Adrian Helmsley), que “roubou” a descoberta do fim do mundo de seu amigo indiano, sequer tenha tido o empenho de assegurar que seu amigo fosse salvo.

Tudo bem, é ficção, mas os cientistas, sobretudo geólogos, geógrafos e climatologistas devem ter ficado boquiabertos com tamanha cretinice. Como que os mais renomados cientistas que já sabiam desde 2009 que o fim do mundo se aproximava não previram, não simularam cenários para o fim do mundo, avaliando várias possibilidades ao invés de uma única e inefável? As caras de surpresa dos cientistas ao constararem que tudo ia muito mais rápido do que previram pareciam com as de crianças descobertas fazendo traquinagens.

E é, mais uma vez, na tradicional família americana que reside a salvação, a resignação. John Cusack vive o pai ausente que somente com o fim do mundo consegue reconquistar não só o amor de seus filhos como o de sua ex. Ainda que isso tenha custado a vida (de forma absolutamente ridícula) de dois personagens. O médico-piloto-extraordinário e a loirinha futil, que morreu aparentemente como um julgamento divino por ter traído seu namorado russo, ainda que este fosse um homem altamente deplorável.

Por fim, notem o sarcasmo do diretor ao criar um russo e seus dois filhos gemeos de forma tão caricata, que falam um inglês sofrível mesmo quando estão conversando entre eles, o deboche ao austríaco governador da Califórnia e claro, a piada sobre a destruição da torre Eiffel… Ainda bem que desta vez ele poupou Nova Iorque… Porque aí já ia ser clichê demais.

Nota 7

2 comentários:

Anônimo disse...

VINÍCIUS BORGES comenta:
Quero ser o primeiro a comentar. Antes de mais nada, noite passada sonhei que o tsunami do fim do mundo chegara a Cuiabá (haha, é sério!!). Mas eu acordei antes
de "morrer". Não acredito nessa bobagem de fim do mundo, mas preferiria que fosse assim. Pelo menos, economizaríamos
com despesas de velório. Como eu lembrei ao blogueiro na saída da sessão, o diretor fez o favor em economizar na destruição de NY. Sobrou para o Rio de Janeiro,
mas tudo bem. Bem que poderia ser o Congresso Nacional desabando, mas aí perderia o tom dramático. Como diversão e curiosidade, causada pelos trailers do filme,
valeu a pena assistí-lo duas vezes, sendo a última com o melhor crítico de cinema que conheço (único, aliás). Mas como disse a ele de antemão, havia muito "toucinho
de lingüiça" na fita: o cachorrinho da perua se salvando, o Havaí sumindo do mapa, o personagem principal entrando nas engrenagens para salvar a arca, fora alguns
draminhas familiares que não precisavam, como o do cantor Tony Delgado (ou seria Tony Bennett?!) tentando se despedir do filho por telefone.
Realmente, é fim do mundo. Mesmo assim, recomendo. E para dias de promoção no cinema.
PS.: Dedê e Dedé, na próxima vez, não ficarei tagarelando durante o filme.

Andre Alves disse...

eae, véio.
De fato, o filme teve várias cenas desnecessárias e um pouco mais longo do que necessário... Tem diretor que acha que o filme tem que ser longo para ser "grandioso".
Quanto ao drama familiar, isso está em todos os filmes de ação, é regra que não muda. Mas achei legal ver o Havaí sumir do mapa... Doído foi os personagens imaginar que ele estaria lá, depois de toda costa dos EUA sucumbir...

 
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