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segunda-feira, fevereiro 27, 2012

E o Oscar vai para a... nostalgia e para a França!

Era quase certo que a Academia não iria contra os dois principais filmes indicados A Invenção de Hugo Cabret e O Artista. Além de juntos somarem 21 indicações, também foram vencedores nos principais prêmios que antecedem ao Oscar: Sindicato da Categoria, Globo de Ouro, BAFTA e Critics Choice Awards. Muitos críticos disseram que o Oscar iria privilegiar essas duas produções por falarem dos primórdios da indústria cinematográfica, o que seria uma indicação de que o cinema deveria voltar seu olhar para o passado ao pensar nos futuros lançamentos.

Independentemente da qualidade das produções – um pouco melhor que a média das últimas edições – quem ganhou mesmo foi a nostalgia. Além dos dois já citados, Meia-Noite em Paris, também abordou o início do século em Paris, e Meryl Streep, em A Dama de Ferro, aborda uma figura histórica, embora de um passado mais recente. Vidas Cruzadas também foi ao passado para falar de racismo. E até Sete dias com Marilyn, que não levou nada, também falava de um cinema e estrelas de outros tempos.

Querem mais nostalgia? Meryl Streep ganhou pelo seu excepcional talento e pelo seu recorde de indicações. E não nos esqueçamos de Christopher Plummer, o mais velho ator a ganhar um Oscar.

Outro fato muito interessante é que 11 estatuetas foram para filmes que reverenciam a França: Meia-Noite em Paris, de Woody Allen; o filme de Martin Scorcese, que se passa em Paris e homenageia o diretor (francês) Georges Méiles. E claro, a produção muda e em preto e branco de O Artista, com direção e atores franceses, que ganhou as principais estatuetas.
Só me resta uma dúvida: O Artista ganhou pela sua qualidade ou por homenagear a iniciante Hollywood dos anos 20?

Fora isso, acho que a maioria das premiações foi justa, apesar de acreditar A Árvore da Vida merecia ter ganhado pelo menos um Oscar (de fotografia), já que dificilmente dariam outros prêmios a um filme tão belo, mas de difícil entendimento pelo grande público.  E também Planeta dos Macacos - A Origem, que merecia o prêmio de efeitos visuais.

Mas o grande injustiçado talvez tenha sido mesmo Rio, do nosso diretor Carlos Saldanha. Já foi estranho não estar entre os indicados para melhor animação (Ok, Rango levaria de qualquer jeito, e merecidamente), mas perder o Oscar de melhor canção para aquela chatice de “Man or Muppet” foi uma vergonha. O que talvez explique a decisão de não executarem as duas músicas ao vivo durante a cerimônia, o que destacaria ainda mais a discrepância do prêmio.

Mas não é só de Oscar que vivem os bons filmes – a maioria não está lá. Vale a torcida para que os produtores ouçam a Academia e produzam filmes com mais qualidade de roteiro, produção e atuação e que a tecnologia sirva de complemento e não o destaque. A outra parte é do público, mas não custa ser nostálgico!

Lista de vencedores:

Filme
O Artista - Thomas Langmann

Direção
Michel Hazanavicius por O Artista

Roteiro Original

Roteiro Adaptado
Os Descendentes - Alexander Payne and Nat Faxon & Jim Rash

Ator
Jean Dujardin por O Artista

Atriz
Meryl Streep por A Dama de Ferro

Ator Coadjuvante
Christopher Plummer por Toda Forma de Amor

Atriz Coadjuvante
Octavia Spencer por Histórias Cruzadas

Fotografia

Montagem
Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres - Kirk Baxter and Angus Wall

Direção de Arte

Figurino
O Artista - Mark Bridges

Maquiagem
A Dama de Ferro - Mark Coulier e J. Roy Helland

Efeitos Visuais

Trilha Sonora Original
O Artista - Ludovic Bource

Canção Original
"Man or Muppet" de Os Muppets - Letra e música de Bret McKenzie

Edição de Som

Mixagem de Som

Filme Estrangeiro
A Separação (Irã) - Asghar Farhadi

Curta-Metragem
The Shore - Terry George e Oorlagh George

Animação

Animação em Curta-Metragem
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore - William Joyce e Brandon Oldenburg

Documentário
Undefeated - TJ Martin, Dan Lindsay e Richard Middlemas

Documentário em Curta-Metragem
Saving Face - Daniel Junge e Sharmeen Obaid-Chinoy


4 comentários:

 
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